Wednesday, August 18, 2010

Ao ler estes escritos mais de três anos depois, veio a mim uma estranha sensação. Um eco de passado em um presente menos pretensioso e menos preciosista, impossibilitado de enxergar tantas e belas sutilezas. Anos depois, pareço desiludido com as letras, esse mundo paradoxal em que os rótulos fixos alimentam nossas ideias e reflexões a ponto de as próprias palavras se consumirem em uma desejada insuficiência. A cera e o pavio, pura matéria, produzem luz e calor, bela imatéria. Pequeno milagre cotidiano...


[...]


- Fábio, vamos fumar? C me arruma um desse Marlboro Azul? Depois eu te arrumo um maço
- Ou mano, vamos ali fumar. Só vou pegar um café ali na máquina e já venho...

Thursday, April 26, 2007

Entrou e viu que não havia ninguém.
Onde estavam as pessoas?? Sim, estavam ali os seus corpos mas as pessoas não estavam mais. O que elas faziam era muito estranho e de repente tudo pareceuperder o significado. Diriam os especialistas que aquilo era um surto de crise nervosa, umavontade de fugir do mundo, uma ansiedade ou o diabo. O diabo? Com certeza não era o diabo. Aquilo sim era estranho. "Você precisa descansar, tirar umas férias. Não é normal agir assim no local de serviço."De fato. Precisava descansar pra mergulhar naquilo novamente, em uma correnteza de um rio bravio que não se podel lutar contra e que sempre tem um destino em uma queda d'água.
Ah! um cigarro!
o aroma mágico de uma leve embriaguez momentânea cuja névoa tóxica é um deleite espiritual para alguns. O mundo para por um instante e se descansa. O olhar fixo e relaxado revelam um transe inevitável de um universo em colapso.
"Isso sim é vida!"
Entrou e viu que haviam mais pessoas do que o normal.
Por que havia tanta gente?? De onde vieram aquelas pessoas? Pensou queconhecesse todas as pessoas ali, mas de repente elas eram várias, e não soube responder quem eram ou de onde vinham.
...
Pediu demissão e foi embora

Monday, February 05, 2007

Esta é a síntese de gigantescas galáxias errantes em rota de colisão, liberando uma infinita quantidade de energia prestes a causar uma explosão que fará o Universo entrar em colapso...
De um ponto infinitamente minúsculo e em um infinitamente mínimo espaço de tempo surgirá o inferno das danças caóticas do tempo e dos malabarismos do espaço...

Em que momento o ovo da galinha transformou-se em ovo da galinha? Em que momento exatamente o homem surgiu como homem? no nascimento? No útero? Durante a vida? É possível imaginar uma espécie gerando outra?

Da maneira exata como percebemos as coisas, tudo veio do nada. Afinal, existiu o momento em que algo se tornou algo. Já que nunca saberemos sobre ele então ele não existe.

E o tempo nos prega essas peças, fugindo como uma raposa e armando arapucas como um caçador...

Wednesday, January 24, 2007

-Quando fiz, não foi do jeito q esperava. Poderia ter sido melhor...
-Claro q poderia ter sido melhor. Poderia ter sido melhor porque não foi
-A não ser que possa ocorrer algo semelhante e que possa ser melhor desta vez.
-Pode ser que ocorra algo semelhante e que seja melhor dessa vez. Mas só é melhor porque ainda não ocorreu...
(...)
-Vive-se em um meio termo entre futuro do presente e futuro do pretérito. É nesse meio termo que se encontra a perfeição das coisas. Um além-mundo que está do outro lado do vidro.
-...seria tudo mais simples se ao invés de sonharmos acordados com a plenitude embebidos em vaidade, sonhássemos com o tortuoso caminho até ela.

Wednesday, January 17, 2007

...
mil partes, mil coisas, mil rostos sombrios e alegres em um despertar do coração que traz sofrimento e dúvida. Idéias disformes que procuram um caminho de asfalto onde podem se integrar e se tornarem inteligíveis. Um resumo de tudo, de todos, das faces tão distintas mas que guardam dentro de si uma frágil existência.
Como deve ser existir nos olhos do outro?
Quando inveitavelmente perdido o sublime momento da virtude, tudo se esvai como o vinho quando derramado. Um ideal platônico sem idéias, uma neurose aristotélica jogada às traças...

Tuesday, January 16, 2007

...de repente, tudo está perdido em um vazio...
Uma ausência de alguma coisa que se tornou um Nada concreto, uma antiga residência demolida por uma catástrofe. A destruição se protege a si mesma: não quer ser incomodada e luta para continuar viva, ser apocalipse, devastação eterna...
O quebra-cabeça se desmonta...a destruição é inerente a si mesmo, caso contrário não teria sentido a sua existência. O fragmentado é o seu estado original e a fragilidade de seu ser só existe quando se encaixam as peças para formar uma figura.
Assim é a vida: um quebra-cabeça montado; vestígios de fragmentos encaixados de modo errôneo, forçados, formando figuras disformes prontas a serem desintegradas pela vontade própria. Um confronto contra o inevitável, lançam-se mil culpas ao infinito...

Tuesday, December 12, 2006

Engrenagem

o que são 40 minutos
quando se quer fugir do mundo?
o que são 40 minutos
quando se quer fugir do mundo?

É como se o ponteiro do relógio fosse a manivela que aperta
um instrumento de tortura]
E como se o ponteiro do relógio caísse em gargalhadas
em sua lentidão nauseante]

40 minutos, meu Deus! O que são 40 minutos?
a matemática das horas é dramática
é única e disparatada
é concreta e abstrata

Se o tempo matemático existe e é alguma coisa
cerrtamente não é exato

A única coisa de certa
é a agonia dos minutos que passam
Sono
Os olhos vão se fixando em um ponto perdido dentro de um infinito fractal, procurando mergulhar na vastidão atômica dos pequenos detalhes. As pálpebras pesam levando consigo a fronte que se deforma no mais profundo silêncio, enquanto vozes histéricas circundantes proclamam em alto e bom tom a satisfação de uma noite bem dormida.
O sono oprime...cerca...acalenta...nos arrebata e nos leva para onde não sabemos nunca ao certo. Seriámos capazes de trocar tudo por uma boa cama quando a fumaça do ópio de Morfeu paira sobre nossas pálpebras. É como estar embriagado, faltando-nos o juízo rotineiro...é estar cego e trôpego no meio fio de uma avenida movimentada, deixando escapar o fio de saliva rala em meio a um combate desesperado e inútil.
Recuso-me a acordar! Prefiro estar em meio a sonhos inatingíveis no suave colo de minha cama do que tomar a xícara de café amargo servida em meu leito pela realidade. Nem mesmo o carinhoso afago do cigarro em toda sua voluptuosidade pode se comparar à sensação uterina de estar sob os cuidados de um cobertor. É o cobertor da vida e da morte, do real e do imaginário, dos sonhos e da realidade, onde tudo se mistura de maneira imperfeita rasgando sadicamente o coração em mil pedaços...